O Forno Comum é a primeira instância completa de franquia aberta: o movimento de empacotar conhecimento operacional tácito em forma explícita e adotável (o que uma franquia faz — manual, marca, treinamento, suporte), invertendo as relações de poder. O modelo é livre: qualquer grupo adota, adapta e redistribui, sem taxa, sem permissão, sem poder de rescisão. O sinal de confiança (o selo) é governado pela rede, não por um franqueador. Sem taxa nem licença onerosa de marca, o arranjo escapa por construção do regime da Lei 13.966/2019.
Para a universidade, a tese testável é: a universidade pode exercer, para empreendimentos de economia solidária, as funções cognitivas que o franqueador exerce para franqueados — formalizar modelos que funcionam (S4), oferecer padrões e plataformas compartilhadas (S2) e apoiar adequações pontuais via extensão (S3/S3*) — sem ser dona de nada. Inclui a "COF aberta": economia unitária real, agregada e validada pela universidade, no lugar das projeções otimistas de uma Circular de Oferta convencional.
O desenho usa o Viable System Model em dois níveis — detalhe em kit/00-modelo/vsm-mapa.md:
| Recursão 1 — a cooperativa | Recursão 2 — a rede | |
|---|---|---|
| S1 | produção, balcão, entregas | cada cooperativa Forno Comum |
| S2 | escalas, padrão de receitas, plano diário, regras de caixa | este repositório: padrões, protocolo de dados, critérios do selo |
| S3 | coordenação eleita rotativa | deliberadamente fraco: só selo e fundo voluntário — a rede não comanda |
| S3* | conferências de estoque/caixa/sanitário | auditoria do selo por pares (cooperativa audita cooperativa) |
| S4 | reunião mensal; dados do commons | agregação de indicadores; universidade como parceira |
| S5 | assembleia; identidade adaptada localmente | associação da rede |
Dois pontos de desenho a examinar criticamente: o canal algedônico interno (20% dos cooperados pulam o S3 e acionam a assembleia) e o S3 de rede deliberadamente fraco — a hipótese anti-captura de que excedente desce, controle nunca desce.
O kit já passou por uma rodada de crítica estruturada com cinco personas (CRITICA.md), cada entrada ancorada em trecho específico. Os pontos de maior severidade são tributários: a natureza da Associação da Rede (fundo comum, marca coletiva, fé pública sobre dados financeiros) e o enquadramento da contribuição via FATES como ato cooperativo — ambos exigem parecer de tributarista de terceiro setor. As perguntas em aberto vivem em QUESTIONS.md.
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