Forno Comum
Franquia aberta · padaria cooperativa

Uma padaria completa, pronta para o seu bairro abrir. De graça, para sempre.

Receitas, planta, sistema de caixa, estatuto, formação e os números verdadeiros. Tudo o que uma franquia entrega — sem taxa, sem dono, sem contrato de adesão.

FORNO COMUM · REDE DE PADARIAS COOPERATIVAS · do bairro, para o bairro
o selo é das cooperativas — de mais ninguém
O que é uma franquia aberta

É como uma franquia. Só que ninguém manda em vocês.

Uma franquia funciona porque entrega um negócio já testado: o manual, a marca, o treinamento, o sistema. O problema é o resto — as taxas, o controle, e o fato de que quem manda pode tirar tudo de você. A franquia aberta separa o que ajuda do que aprisiona.

Franquia comum

  • Taxa de entrada de dezenas de milhares de reais, mais mensalidade sobre as vendas
  • Contrato que diz o que você pode e não pode fazer
  • Fornecedores obrigatórios, escolhidos pela franqueadora
  • Números de venda apresentados para convencer você a entrar
  • Se romper o contrato, você perde a marca, o sistema e o manual

Franquia aberta

  • Nenhuma taxa. Nunca. O modelo inteiro é público
  • Vocês decidem tudo em assembleia — a padaria é uma cooperativa dos trabalhadores
  • Liberdade para adaptar receitas, planta e preços à sua realidade
  • Números verdadeiros, colhidos das padarias que já funcionam — inclusive os ruins
  • Ninguém pode tirar nada de vocês: as regras de uso garantem isso por escrito
O que vem no kit

Tudo o que uma padaria precisa para existir

O kit é um pacote completo, mantido em conjunto por uma universidade pública e pelas próprias cooperativas da rede. Cada peça foi testada em padarias reais.

Receitas e produção

Do pão francês à confeitaria, com quantidades, tempos e temperaturas. E o plano de quanto produzir por dia, para não sobrar nem faltar.

Planta do espaço

Como organizar de 60 a 110 m² cumprindo as regras da vigilância sanitária — e as adaptações que outras padarias já fizeram.

Sistema de caixa e estoque

Um programa simples que roda num computador comum, funciona mesmo sem internet e mostra as contas para todos os cooperados.

Estatuto e regras de convivência

O documento jurídico pronto para adaptar e registrar a cooperativa, e regras testadas para dividir tarefas, ganhos e resolver conflitos.

Formação e madrinha

Curso de panificação, de gestão e de cooperativismo — com estágio em uma padaria da rede, que acompanha vocês na abertura.

Os números verdadeiros

Quanto custa abrir, quanto rende, em quanto tempo se sustenta — dados reais da rede, conferidos pela universidade.

Os números, sem maquiagem

O quadro de preços da verdade

quem vende franquia esconde isso. a gente escreve na lousa.
  • Para abrir (tudo incluído)equipamentos, reforma, estoque e caixa para 3 mesesR$ 93 a 151 mil
  • Vendas por mêspadaria de bairro, 10 cooperados, dois turnosR$ 55 a 75 mil
  • Retirada mensal por cooperadodepois que a padaria engrenaR$ 2.200 a 3.400
  • Tempo até se sustentaro período mais difícil — precisa de reserva6 a 14 meses
  • Taxa para a redehoje e sempreR$ 0

e os quatro avisos que ninguém dá:

  1. Forno quebrado mata a padaria. Por isso o modelo obriga a guardar 10% das sobras para manutenção.
  2. Nos primeiros meses, a retirada é baixa. Grupos sem uma reserva ou outra renda quebram antes de engrenar.
  3. Briga interna derruba mais padarias que a concorrência. O kit traz um jeito combinado de resolver conflitos.
  4. O ponto importa mais que o pão. Rua sem movimento não fecha a conta, nem com o melhor produto do mundo.

Valores de referência do modelo, atualizados a cada ano com os dados enviados pelas padarias da rede e conferidos pela universidade parceira. Antes de decidir, seu grupo recebe a planilha completa para refazer as contas com os preços da sua cidade.

O caminho até abrir

Do grupo de vizinhos à primeira fornada em 120 dias

Dias
1–21

Juntar o grupo e decidir de olhos abertos

Pelo menos 7 pessoas dispostas a trabalhar juntas. O grupo lê os números verdadeiros, faz uma oficina sobre como funciona uma cooperativa e estuda o movimento da rua onde pensa em abrir.

Se a rua não tiver movimento ou o grupo estiver inseguro, a orientação é esperar. Adiar é barato. Quebrar é caro.
Dias
22–60

Registrar a cooperativa e juntar o dinheiro

Adaptar o estatuto pronto do kit, fazer a assembleia de fundação e registrar. Em paralelo, montar o dinheiro de abertura: uma parte dos próprios cooperados, o resto por fundos solidários, cooperativas de crédito ou editais — o kit mostra cada caminho.

Dias
45–100

Preparar o espaço e aprender o ofício

Reforma seguindo a planta, compra dos equipamentos (com guia para comprar usados sem cair em cilada), licenças da prefeitura e da vigilância. Enquanto isso, o grupo faz o curso de panificação com estágio numa padaria madrinha da rede.

Dias
100–120

Fornada de ensaio e inauguração

Duas semanas vendendo a preço reduzido para calibrar produção e caixa, com a madrinha acompanhando todos os dias na primeira semana. Depois, a festa de inauguração — e o bairro passa a ter uma padaria que é dele.

Quem faz o quê

Três papéis, nenhum patrão

Vocês

A cooperativa

Dona de tudo: do ponto, dos equipamentos, das decisões e dos resultados. Cada cooperado trabalha, vota e tem acesso a todas as contas. Um voto por pessoa, sempre.

As padarias juntas

A rede

As cooperativas formam uma associação que cuida do selo, compra farinha em conjunto para pagar mais barato e junta as experiências de todas — o que uma aprende, todas aproveitam.

O apoio

A universidade pública

Mantém o kit atualizado, dá os cursos, acompanha as aberturas e confere os números. Ajuda como quem ensina — não como quem manda. E não ganha nada por isso: é o papel público dela.

A promessa que segura tudo: se um dia a universidade sair, ou se a sua padaria quiser deixar a rede, nada muda dentro da padaria. O sistema continua funcionando, os documentos continuam com vocês, as contas continuam suas. Isso não é boa vontade — está garantido por escrito nas regras de uso de cada peça do kit.
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O selo na porta

O que o selo garante para quem compra o pão

Usar o modelo é livre — qualquer grupo pode, sem pedir licença. O selo é diferente: ele é uma marca registrada que pertence às próprias cooperativas, e só fica na porta de quem cumpre os compromissos, conferidos a cada dois anos pelas outras padarias da rede:

  • Padaria dos trabalhadores, sem patrão e sem cooperado de fora mandando
  • Pão do dia a dia sempre a preço acessível
  • Contas abertas para todos os cooperados
  • Entre a maior e a menor retirada, a diferença nunca passa de 3 vezes
  • Cozinha em dia com a vigilância sanitária

E se uma padaria perder o selo? Perde só o selo. Todo o resto — sistema, documentos, conhecimento — continua sendo dela.

Perguntas frequentes

O que todo mundo pergunta

É de graça mesmo? Qual é a pegadinha?
É de graça mesmo, e não há pegadinha porque não há dono para lucrar. O kit é mantido por uma universidade pública — usando o dinheiro público que ela já recebe para servir a sociedade — e pelas próprias cooperativas. O que pedimos em troca não é dinheiro: é que, uma vez por ano, a padaria conte para a rede como estão indo os números (de forma resumida, sem expor ninguém), para que os dados verdadeiros ajudem o próximo grupo a decidir.
Precisamos entender de tecnologia?
Não. O sistema de caixa funciona como uma maquininha: aperta, vende, imprime. A instalação é feita com apoio dos estudantes de extensão da universidade, e o curso de gestão ensina todo o resto. Se a internet cair, tudo continua funcionando.
E se quisermos mudar as receitas, os preços ou o jeito de trabalhar?
Podem mudar o que quiserem — a padaria é de vocês. O modelo é um ponto de partida testado, não uma camisa de força. Só pedimos que, se a mudança der certo, contem para a rede: a sua adaptação pode virar melhoria para todas as outras padarias.
E se a universidade abandonar o projeto?
Nada para de funcionar. Essa é a diferença central para uma franquia: o kit foi construído para que ninguém — nem a universidade — tenha o poder de desligar nada. O sistema roda num computador dentro da própria padaria, os documentos são de vocês, e as regras de uso garantem tudo isso por escrito, com validade jurídica.
Quantas pessoas precisamos ser?
A lei brasileira pede no mínimo 7 cooperados para fundar uma cooperativa de trabalho. Na prática, o modelo funciona melhor com 9 a 12 pessoas, para cobrir os dois turnos com folgas dignas.
Todo mundo ganha igual?
A retirada de cada cooperado é proporcional às horas trabalhadas, e as sobras do ano são divididas em assembleia. Existe uma regra de justiça: a maior retirada nunca pode passar de 3 vezes a menor, para jornadas parecidas. Quem decide os detalhes são os próprios cooperados, votando.
Por que uma universidade faria isso?
Porque é para isso que a universidade pública existe: devolver conhecimento à sociedade. Ela já faz isso há décadas com pesquisas e cursos. Aqui, ela faz com um negócio inteiro — testado, documentado e aberto — em vez de deixar esse papel só para as empresas de franquia.

O bairro de vocês merece uma padaria que seja dele.

Junte pelo menos 7 pessoas dispostas a trabalhar juntas e escreva para a incubadora da universidade parceira mais próxima. O primeiro passo é uma conversa — sem compromisso e, como tudo aqui, sem custo.